quarta-feira, 24 de março de 2010

25 de Março de 2010 - Quinta-feira da 5ª Semana da Quaresma - Solenidade da Anunciação do Senhor (Ofício Próprio)

Deus que, no decorrer dos séculos, tinha encarregado os profetas de transmitir aos homens a Sua palavra, ao chegar a plenitude dos tempos, determina enviar-lhes o Seu próprio Filho, o Seu Verbo, a Palavra feita Carne. Contudo, o Pai das misericórdias quis que a Encarnação fosse precedida da aceitação por parte daquela que Ele predestinara para Mãe, para que, “assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida “ (Lumen Gentium, 56).
No momento da Anunciação, através do Anjo Gabriel, Deus expõe a Maria os Seus desígnios. E Maria, livre, consciente e generosamente, aceita a vontade do Senhor a seu respeito, realizando-se assim o mistério da Encarnação do Verbo. Nesse momento, com efeito, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade começa a Sua existência humana. O filho de Deus faz-Se Filho do Homem. O Deus Altíssimo torna-Se o “Deus conosco”.
Ao celebrar este mistério, precisamente nove meses antes do Natal, a Solenidade da Anunciação orienta-nos já para o Nascimento de Cristo. No entanto, a Encarnação está intimamente unida à Redenção. Por isso, as Leituras (especialmente a segunda) introduzem-nos já no Mistério da Páscoa.
Essencialmente festa do Senhor, a Anunciação não pode deixar de ser, ao mesmo tempo, ao mesmo tempo, uma festa perfeitamente mariana. Na verdade, foi pelo sim de Maria que a Encarnação se realização, a nova Aliança se estabeleceu e a Redenção do mundo pecador ficou assegurada.

 Isaías 7, 10-14.8,10
O SENHOR mandou dizer de novo a Acaz: «Pede ao SENHOR teu Deus um sinal, quer no fundo dos abismos, quer lá no alto dos céus.» Acaz respondeu: «Não pedirei tal coisa, não tentarei o SENHOR.» 
Isaías respondeu: «Escuta, pois, casa de Davi: Não vos basta já ser molestos para os homens, senão que também ousais sê-lo para o meu Deus? Por isso, o Senhor, por sua conta e risco, vos dará um sinal. Olhai: a jovem está grávida e vai dar à luz um filho, e há de pôr-lhe o nome de Emanuel. 
Traçai planos, que serão frustrados; ordenai ameaças, que não serão executadas, pois temos o Emanuel: «Deus conosco.» 

Salmos 40 (39), 7-11 
Não quiseste sacrifícios nem oblações,
mas abriste me os ouvidos para escutar;
não pediste holocaustos nem vítimas.
Então eu disse: "Aqui estou!
No Livro da Lei está escrito aquilo que devo fazer."
Esse é o meu desejo, ó meu Deus;
a tua lei está dentro do meu coração.
Anunciei a tua justiça na grande assembléia;
Tu bem sabes, SENHOR, que não fechei os meus lábios.
Não escondi a tua justiça no fundo do coração;
proclamei a tua fidelidade e a tua salvação.
Não ocultei à grande assembléia a tua bondade e a tua verdade.

Hebreus 10, 4-10 
Uma vez que é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados. Por isso, ao entrar no mundo, Cristo diz: Tu não quiseste sacrifício nem oferenda, mas preparaste-me um corpo. Não te agradaram holocaustos nem sacrifícios pelos pecados. 
Então Eu disse: Eis que venho – como está escrito no livro a meu respeito – para fazer, ó Deus, a tua vontade. Disse primeiro: Não quiseste nem te agradaram sacrifícios, oferendas e holocaustos pelos pecados – e, no entanto, eram oferecidos segundo a Lei. 
Disse em seguida: Eis que venho para fazer a tua vontade. Suprime, assim, o primeiro culto, para instaurar o segundo. E foi por essa vontade que nós fomos santificados, pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. 

Evangelho segundo São Lucas 1, 26-38 
Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 
Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai Davi, reinará eternamente sobre a casa de Jacó e o seu reinado não terá fim.» 
Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» 
Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela. 

 Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Beda, o Venerável (c. 673-735), monge, Doutor da Igreja 
Homilias para o Advento, nº 3; CCL 122, 14-17 
(a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 170)
«O Senhor Deus vai dar-Lhe o trono de Seu pai Davi;
Ele reinará eternamente sobre a casa de Jacó e o Seu reinado não terá fim»
«O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, uma virgem, desposada com um homem chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria». O que é dito da casa de Davi não diz respeito apenas a José, mas também a Maria. Porque a Lei prescrevia que um homem se casasse com uma mulher da sua tribo e da sua estirpe, segundo o testemunho do apóstolo Paulo, que escreveu a Timóteo: «Lembra-te de Jesus Cristo, saído da estirpe de Davi, e ressuscitado dos mortos, segundo o meu Evangelho» (II Tim 2, 8). [...]
«Ele será grande e vai chamar-Se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-Lhe o trono de Seu pai Davi». O trono de Davi significa aqui o poder sobre o povo de Israel, que Davi governou no seu tempo, com um zelo pleno de fé. [...] A este povo, que Davi dirigiu pelo seu poder temporal, vai Cristo conduzir por uma graça espiritual para o reino eterno. [...]
«Ele reinará eternamente sobre a casa de Jacó». A casa de Jacó designa a Igreja universal que, pela fé e o testemunho rendido a Cristo, se une ao destino dos patriarcas, quer dos que tiram a sua origem carnal da sua cepa, quer dos que, nascidos pela carne de uma outra nação, são reunidos em Cristo, pelo batismo no Espírito. É sobre esta casa de Jacó que Ele reinará eternamente: «e o Seu reinado não terá fim». Sim, Ele reina sobre ela na vida presente, quando governa o coração dos eleitos onde habita, pela sua fé e o seu amor para com Ele; e governa-os pela Sua contínua proteção, para lhes fazer chegar os dons da recompensa celeste. Ele reina no futuro, quando, uma vez terminado o estado de exílio temporal, os introduz na estadia da pátria celeste, onde eles se regozijam com a Sua presença visível que continuamente lhes lembra que não podem senão cantar os Seus louvores.

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